sexta-feira, 11 de março de 2011

maldito.

maldito tempo frio que deixa essa doença do alheio.
no verão acordo querendo conquistar o mundo.

terça-feira, 1 de março de 2011

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

homens de verdade

encaram que jamais serão algo além de crianças que sabem dirigir.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

04.04

sozinho

fingir que não está sozinho.
está sozinho.
sempre estará sozinho.

mesmo quando não estiver sozinho.
estará sozinho.

mesmo sozinho com outra pessoa que também está sozinha.
estará sozinho.
não consegue se juntar a alguém porque se sentirá sozinho.
não considera a hipótese de fingir não estar sozinho.
então continuará sozinho, sozinho.

morrerá sozinho.
viverá sozinho.
porque não há nada além do sozinho.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

mais uma do senhor óbvio

passamos a vida toda nos preparando para algo que nunca chega. e que se chegasse, não estaríamos preparados.

sábado, 22 de janeiro de 2011

uma reflexão.

louco: aquele que possui o dom que a mente humana é incapaz de compreender: o ato espontâneo. livre de qualquer processo de elaboração.

sábado, 8 de janeiro de 2011

"We burned it all."



So fire it is,
to make our dark streets clean again
like a 'reset' button on our lives,
like hands of god
just dusting off the blackboard...
and with all we've worked for gone,
and all we cherished lost, we can start again.

So play your violin and breathe the sulphur in
take it on the chin as London sheds its skin.
Play your violin and try to hide your grin
as it burns away your sin, and London sheds its skin

"where are our churches and libraries? where are our books and our memories?"

"We burned it all..."
" [...] We burned it all."


Reuben.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

impaciência no meio de um episódio

perdi tudo.
desde o sorriso no rosto, ao prazer nos dedos.
perdi o vício, mas ironicamente, continuo viciado.
perdi o foco a ponto de jogar um punhado de frases aqui que só façam sentido pra mim. frases que, juntando todas, não especifique nada mais do que uma maneira de dividir meu tédio.
metas? minha única meta é a de que esse texto não fique muito grande. não pelo leitor, claro. é que quero voltar a ver House M.D. o mais rápido possível.
quando me dou conta de que ainda existo, penso seriamente se sou, fui ou serei um idiota.
admiro muito um quadro que ao meu ver, trata disso. nunca fui ligado a esse tipo de arte e eu posso estar sendo ignorante. nunca me meti a pintar, ter dons nunca foi o meu forte.
nasci para ser fracassado. as vezes penso se gosto disso ou se é a única opção que me resta.

por essa ironia do destino, não tenho mais nenhuma foto.
tenho medo de nunca mais poder me sentir assim. esse é o meu dilema. esse é o meu karma.
alguns diriam que não perdi tudo. me soa irônico quando dizem "relaxa, você sobrevive." pelo simples motivo de isso não me fazer o menor sentido. acredita no quê? que eu tenha que morrer para ficar triste e me entregar?
sobreviver não é nenhuma vitória. fui ferido o máximo possível, mas é óbvio que não me mataria. só se eu mesmo acabasse com a minha vida. mas nesse caso continuaria sendo julgado pela moral. belo conceito esse de não abalar-se por nada, se desse certo.

perdi tudo. o que me resta agora somente é viver relembrando o passado. lamentando. afinal, insistir em viver não é nada mais do que tentar trazer ao presente o que tinha no passado. o futuro não me interessa. não é que eu tenha medo, é que eu realmente queria aprender a gostar de mentiras. o passado sendo bom ou não, me satisfaria. passado é passado, e por ser, foi. e por ter sido, deprimente.
perdi tudo, mas ironicamente, não sinto muito a falta. essa é mais uma das provas de como somos seres adaptáveis. essa é mais uma das provas de que não somos nada, além do físico. mais uma das provas do quão errados estamos ao deixar nossa inteligência ver e respirar o ar do mundo. e é me contradizendo a cada frase que vou a vida empurrando com a barriga. deixando 1979 do Smashing Pumpkins me fazer refletir why não largo o mouse.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

igual, desprezível

todos os dias passo por mendigos aqui na Avenida Paulista. mas quero tratar de um específico, que fica pelo chão, se arrastando (nem sei se ele mora na rua mesmo), próximo ao metrô Brigadeiro. está sempre com uma caixa de papelão presa por um cordão no pescoço, pedindo moedas com a maior cara de lamento que alguém pode imaginar. tudo bem que um mendigo precisa de dinheiro, mas não mais que eu! ele tem tudo em mãos. não precisa planejar nada, não tem nada a perder e tem a moral que eu gostaria de ter. por que precisaria de mais de 10$ por dia para comer? isso eu aposto que ele ganha todo dia! e eu? tenho uma presente e futura vida regrada que precisa de muito dinheiro. ah, como eu sou consumista! levo comigo sonhos, que me levam com eles.
sempre que passo, olho para a caixa do sujeito. sempre com duas, três ou cinco moedas no máximo. (isso quando não tem nada.) como será que funciona seu faturamento? será que ele esconde ou gasta as moedas, dividindo o dia em períodos? sinceramente não sei. só sei que olho sempre para a caixa, mas nunca pra ele. nunca para os seus olhos, pois não tenho coragem. não tenho coragem de olhar para o lamento mais real do mundo. um metro e meio de realidade a cada quadra de mentira. não consigo, me deparar com toda essa realidade, e continuar meu dia. fujo, corro. tudo para não olhá-lo nos olhos. o evito, e o faço pensar que o desprezo, assim como todos que passam por aqui. não o desprezo, mas ele vai saber? a única conclusão que ele pode tirar é que o desprezo. ele é único pra mim, passo de lá pra cá e ele é o único no chão pedindo dinheiro. mas eu não sou único pra ele, passo lá e sou apenas mais um que não doa moedas a ele. apenas mais um que não o olha nos olhos, que não lhe dá carinho. mais um que vive sua vida numa coletividade totalmente individual.
a minha obsessão por igualdade me fez acreditar que mereço me foder assim como qualquer outro porco. porque a maneira como me comporto mostra que não passo de um deles.
julgava-me superior por acreditar -talvez cegamente, mas jamais inteiramente- entender as pessoas.
pessoas que vendem suas vidas para outros por acreditarem ter "motivos maiores". eu digo que o meu motivo é maior do que o delas. maior do que todos! mas é apenas meu, assim como o seu, é seu. e isso apresenta-me igual a todos.
sabe, essas coisas pairam pela cabeça, inferiorizar os outros (mesmo que só em sua própria cabeça, por preconceito) por diversos motivos, tal. mas ali, depois que passo pelo mendigo -sem olhar pros olhos dele-, percebo o quão desprezível eu sou. desprezível e igual. igual a todos que passam por lá. desprezível.

sábado, 2 de outubro de 2010

texto sem a necessidade de possuir um título

não uso letras maiúsculas. não sinto necessidade de deixar o que eu escrevo etica e esteticamente bom. não quero causar impacto. mesmo porque, o que eu escrevo é uma bosta. vem de uma opinião que é totalmente formada de opiniões e preconceitos já vividos e que têm toda a chance do mundo de mudarem. e é aí que está.
quando criança, eu era o melhor jogador de snes e ps1. era o melhor aluno da sala, tinha até uma namoradinha (fazia o social, ne), ninguém ganhava de mim no yugi-oh e até tive boas fases ao jogar bolinha de gude e alguns esportes comuns.
tinha todos os albuns de figurinha de banca (quase completos), os posteres, as revistas ultrajovem, os cards. sempre que eu via um boneco de personagem, eu juntava pra comprar. pensava ter todos que estivessem a venda, mas sempre aparecia mais. aí nascia minha vontade e obsessão por "completar" as coisas. ser bom, ser melhor! práticas que foram forçadas a serem abandonadas.
lembro de planejar um futuro repleto de vitórias e conquistas. ser o homem mais bonito e mais rico. ter a melhor casa e esposa mais linda. sem contar que eu queria ser o mais inteligente, possuir todo o conhecimento do mundo. isso tudo é verdade. a parada era realmente séria. e tudo isso era pelos motivos mais comuns do mundo.
hoje vejo o quão sem sentido era isso tudo. me sentir completo, um homem melhor. pra quê isso tudo? hoje sou um homem querendo o contrário de tudo isso.
ouço coisas como: vá trabalhar para se tornar um homem melhor, um homem responsável. e lá quero eu ser melhor e responsável? não possuo planos de dar vida a uma família. detesto a responsabilidade. se eu me ferrar por isso, não vou levar ninguém comigo.
já sofri muito. vivi, amei. não passei mais tempo na vida do que amando. aprendi com o mundo que tudo isso me tornaria mais forte. que seria mais capacitado a melhor lidar com problemas e dilemas. uma retribuição por tantas lágrimas e dores. mas cada passo na verdade me enfraquece mais. então porque devo tentar nas falsas esperanças continuar com algo que só me deixa mais próximo do chão?
na verdade não faço questão de ser forte. nem homem faço questão de ser. não faço questão de ter saúde, ter conhecimento, estabilidade emocional/financeira, educação, honra, respeito e nenhum desses adicionais.
não vim para o mundo pra ganhar, conquistar, exercer ou realizar conceitos. vim pra nada disso, pelo simples acaso. e esse "nada" eu sei realizar muito bem.
hoje chego a conclusão de que só faço questão de ganhar no truco e no banco imobiliário.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

somos todos promíscuos.

sou promíscuo, sim. admito isso. e acho que não há nada mais natural do que a promiscuidade. talvez nem tanto para o ser humano quanto é pros demais animais, mas é.
sabe, já fomos todos apenas naturais. temos dentro de nós toda a promiscuidade humana, que foi mascarada ao passar de nossos anos. idealizada para cabermos no mundo da dignidade. bullshit, somos todos promíscuos.
procure dentro de si. vai se encontrar na internet vendo vídeos pornográficos com pra lá de tantas pessoas. vai se dar conta que não perde aquela olhada (por vezes, maldosa) nas senhoras burguesas por entre as calçadas. tu és um safado! mas pode aproveitar sua taradeza em atitudes melhores.
já havia me esquecendo... creio que o homem tem mais facilidade a encontrar a promiscuidade em si mesmo. pois nele de certa forma isso é até incentivado. visto que as mulheres crescem com opiniões muito fantasiadas com relação a sua sexualidade, e quando descobrem, -isto é, se descobrem- já é tarde demais. a menos tarde demais para estarem nesse contexto.
e eu, como homem, não consigo me imaginar fora disso. além de já ter me criado num mundo onde o homem "pode" ser assim, decidi optar por dar adeus a dignidade. infelizmente não a tudo, mas meu íntimo, ninguém precisa saber. e se souberem, continuará sendo meu, e íntimo. não?
não estou querendo dizer que consigo diversões fáceis por aí, não consigo. afinal, isso é bem raro. mas não é por isso que abandonarei minha opinião de que o sexo com qualquer pessoa, sem nenhum "sentimento", possa ser bom. ótimo.
esse é um assunto meio delicado. afinal, o sexo é, e talvez sempre será o maior tabu. e por evitarmos tanto falar sobre ele ou admitir a verdade, é que ele é um dos maiores combustíveis da força de vontade. admito que não tenho moral o suficiente para sair dizendo por aí que tenho vontade de transar com meio mundo. (inclusive -bota inclusive nisso- desconhecidos.) mas, se tivesse, eu seria ao menos entendido?
receberia muitas críticas de moralistas, isso sim. "maldito!" "pecador!" "nojento!". seria visto como uma pessoa que não pode ser levada a sério. e eu sou mesmo. o problema está em ser discriminado. apesar de não fazer mais tanta diferença pra mim hoje.
ser discriminado por não amar, criar laços, ter sentimentos. o que é um grande preconceito. (e por sê-lo, ignorante.) já que em momento algum eu disse que deixo de criar laços, respirar o ar puro da paixão. sabe, fall in love. de sentir carinho, o afeto. posso sim, não sentir por uns ou outros. mas fluindo, eu posso amar, cuidar, necessitar, acarinhar e tudo que um amante comum faz. temporário ou não.
mas o corpo e o organismo não necessitam disso tudo para que possam se satisfazer. e o coração é grande o suficiente para caber inúmeras pessoas. o fato está em que um, -nesse caso- independe do outro. e que eu, sei disso.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

perdoem-me o assunto extremamente clichê: nostalgia

nostalgia, sensação burguesa. sabe, de rico. afinal, nem todo mundo conhece o significado dessa palavra. tenho ouvido falar bastante nela nesses últimos anos. deve ser a globalização. gente com nostalgia, depressão, bipolaridade e essas coisas do mundo moderno, you know.
a nostalgia, em mim, vem carregada de tristeza. mas é como música, a mesma que lhe causa certa dor, as vezes te conforta, como um ciclo.
mas ter sentimentos não é coisa de rico. chamo a nostalgia de coisa de rico porque ela está entre duas sensações e uma delas é o dejavu. (pane que só dá em mente de rico.) a outra é a saudade, um pouco mais comum pro povo brasileiro.
é como o dejavu pois você parece sentir aquilo novamente. é como sentir que não mais viveu, depois do momento em questão, que não possui mais experiências. como se tivesse restaurado o sistema de um computador e parasse ali, sem atualizações. por quanto tempo a nostalgia durasse.
eu sei, parece delicioso. mas não é. te falta ainda alguma coisa, porque você não está de fato vivendo aquilo, só parece. (mesmo que muito.) essa é a dor e é aqui que está a pitada de saudade. uma pitada que faz muita, e se me permite dizer, toda a diferença.
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bom, acontece que estava eu em santo andré (sentado no ponto, esperando ônibus para voltar pro serviço) quando uma senhora, uma velha, sentou ao meu lado com aquele perfume. eu não tinha noção de onde eu conhecia aquele cheiro, mas tinha (e tenho) a certeza de que o conhecia. (e vai ver era de algum perfume antigo.)
ouvindo 'Pine' do Oceansize (no mp3) me dei conta de que passei a música toda naquela minha percepção olfatal.
a nostalgia é algo comum, mas nesses casos -quando se dá pelo cheiro- o buraco é mais embaixo. você é transportado de corpo e alma. raramente a sinto, como senti nesse dia. enquanto a música rolava, meus olhos não mais enxergavam a doença do mundo. mas nem eu sabia o que estavam enxergando!
como num filme, a música acabou e só aí fui me dar conta de que aquela senhora já havia pego o ônibus e que talvez eu nunca mais fosse sentir aquele cheiro novamente.
ela me apareceu como um anjo. um anjo que abriu minhas feridas, me trouxe dor e levou embora a minha esperança do tão sonhado passado.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

uma adocicada seria bom

-gente, beijo. até mais. - é assim que começa mais um dos meus dias salgados - como almoço e janta - sem que o anterior termine.
não consigo encerrar o dia pois passo todo o fim dele a procura de algo doce. os dias se acumulam nas minhas costas. não há intervalo entre um e o outro.
assim, perco tudo que  há de mais doce no dia, o fim dele. ou seja: o sono. o sono é doce. é suave de maneira infinita e momentânea. assim como a morte e toda a verdade do mundo.
sou obrigado então, nos finais de semana, a encerrar todos os dias anteriores. os processos. sou obrigado a num passe de mágica, abrir um novo processo para a semana seguinte. mas não encerro o anterior de maneira adocicada! ah não. encerro de maneira salgada - como almoço e janta - fingindo pra mim mesmo que não.
mas sei que não é doce realizar tarefas atrasadas. o doce desses dias está nos risos e sorrisos. nos abraços e amassos.
nesse caso, se encerro os dias, perco todo o doce. se me delicio com os doces, tenho que tentar não dar pane na semana seguinte. afinal, quem aguenta 2 semanas num único dia? há quem aguente, mas o gosto é azedo.
mas sempre aparecem aqueles momentos. ah esses momentos! os agridoces! esses sim são os melhores momentos que qualquer homem pode desejar! tive deles hoje, ao encontrar amigos e sentir aquele gostinho doce, mesmo com toda a acidez do dia. mas lhes digo uma coisa: não fiquem ansiosos pelos momentos agridoces, porque assim eles nunca chegam. e quando deveriam chegar, chegam no máximo doces.
e assim numa mistura de sabores, concluo que minha vida está destinada a ser salgada. assim como o almoço e a janta.
mas tem um momento, - o encontro dentro de todas essas limitações - que sem ele eu não aguentaria. não é o melhor momento que eu poderia ter, mas me salva constantemente. tento me contentar com ele. (afinal a gente sempre se adapta a tudo.) e é a esse momento que eu dou o nome de amargo.

sábado, 18 de setembro de 2010

semelhanças entre escrever e cagar

cagar pra mim é como escrever: nem sempre me liberta de todos os demônios, mas não consigo parar de fazê-lo. deposito nesse ato meu sentimento de sossego, libertação e de sossego pós-desassossego. leva embora meu tempo fútil. meu tédio, minha sensação de invalidez. me sinto válido cagando. pouco, sabe. pelo menos não estou na internet.
confesso que realizo um esquema para o início do ritual. mas depois, deixo a caneta deslizar.
vai que vai, tudo sai! assim como vomito tudo na folha de papel. opa! nem tudo! sempre falta alguma coisa que me deixa inquieto. assim como aquele parágrafo que não saiu como eu queria.
mas há experts no assunto que chegam e simplesmente 'fazem' obras que poderiam ser comparadas a Hamlet. sem ao menos pensar. saem do banheiro como se nada tivesse acontecido. nem deixam rastros. e ah como eu me sinto realizado ao conseguir concluir uma simples crônica!
quem dera eu fosse assim. eles não idealizam o cocô. somente eu, porque sofro com isso. já ouviu falar que a metafísica é a consequência de sentir-se mal?
então aqui afirmo que só as minhas palavras, são como bosta. escrevo e cago pelo mesmo motivo: meu próprio alívio. à você, caro leitor, se gostou desta leitura ou de algum outro texto meu, só me resta dizer-lhe: você gosta de merda.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

quero me sentir novo

quero me sentir novo.
tomo banho, lavo o cabelo, escovo os dentes, faço a barba.
eu quero me sentir novo.
me visto ao pensar que não tenho preocupação nenhuma.
quero me sentir leve.

sabe a diferença entre se sentir leve e se sentir novo?
ao comer, abandono as esperanças de me sentir leve.
o físico é tudo. não me sinto leve, porém me sinto novo.
ao sentir fome, me sinto incompleto.
não me sinto pronto,
não me sinto novo.

qual seria de fato o meu desejo,
me sentir leve ou me sentir novo?
o meu desejo de fato é me sentir inútil.
inútil para mim,
inútil para ti e inútil para o mundo.
inútil pra mim, eu não saberia o que eu viria a querer.
iria simplesmente querer.
inútil pra ti e para o mundo,
não viria a realizar tarefa alguma.
simplesmente cumpriria o meu desejo instintivo.
o meu desejo instintivo não iria além do que eu viria a poder fazer,
a menos que envolva outro ser.

vou dar-lhes um exemplo simples:
um gato não tem o desejo de voar,
ele apenas deseja (e não possui o desejo) pegar um pássaro que está nos ares.
ele se sente incapaz daquilo naquele momento,
mas não se sente incapaz de voar.
ele não tem o conhecimento da "possibilidade".
logo, não se sente limitado.
sente-se incapaz de alcançar o desejo no momento.
as sensações do gato são apenas momentâneas,
ele não carrega para si.
isso é sentir-se inútil,
algo inatingível para a humanidade.
sentir-se inútil é não deixar rastros,
não saber ou conhecer.

sabendo da impossibilidade de sentir-me inútil,
o quê é que me resta?
querer me sentir novo.
eu quero me sentir novo.
sentindo-me novo eu estaria pronto pra saber,
conhecer e realizar qualquer feito.
sem possuir o fardo passado...
seria novo.
quero me sentir novo.
há possibilidade de sentir-me novo,
com tantos anos de idade?

sabendo da impossibilidade de sentir-me novo,
o quê é que me resta?
querer me sentir leve.
eu quero me sentir leve.
sentindo-me leve eu estaria pronto pra não saber,
conhecer ou realizar qualquer feito.
já possuiria um passado de grandes realizações, seria leve.
quero me sentir leve.
há possibilidade de sentir-me leve com tantas pendências?

sabendo da impossibilidade de sentir-me leve, penso eu:
tanto faz o que me resta.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

revolucionariozinho de merda

tenho nojo
tenho nojo de mim, de ti e da educação que me deram
tenho nojo do colchão em que durmo, da coberta que me aquece, do travesseiro em que deito e do sono que me aparece
tenho nojo do chão em que piso, das bases que me sustentam, das paredes em que me protejo e do dinheiro que me alegra
tenho nojo do relógio em que olho, das águas que me banham, das roupas em que me descrevo e da comida que me alimenta
tenho nojo do ar que respiro, da saúde que me cerca, das palavras que falo e da vida que me resta

e o quê e que eu faço quanto a isso?
eu só tenho nojo.