terça-feira, 18 de dezembro de 2012

tecnicamente, não há nada mais (e que tenha de ser) cinza. nunca estive errado.


minha vida funciona como esse computador
aliás, esse computador é apenas uma extensão de mim
trava, vai devagar
quando travo, vou devagar
quando preciso agilizar
funcionar
quando ele precisa funcionar

o quê mais seria extensão de mim?
imageticamente falando...
o café de ainda pouco
o cigarro
as mãos trêmulas
alguma causa
mais alguma causa
essa máscara que cobre o que por de trás está morto

assim que funciona?
sou visto e escutado apenas pelas minhas extensões
tudo gira em torno das minhas asas pretas
mas a fumaça
e o reflexo dos leds ao meu redor
é azul como o meu eu próprio
minha extensão se faz real
travando

domingo, 28 de outubro de 2012

mas não cheguei lá ainda


saber que o fato de a água estar fria
é porque eu mudei a chavinha do chuveiro
diminuiria a intensidade
mas a surpresa existiu ainda assim

a porrada nas costas
mais ou menos programada
me fez pensar sobre qual seria a
equação necessária para uma revolução
e quantas as variáveis

talvez fosse complicado
talvez fosse tão simples como agir pelo instinto
o feromônio exalado durante multidões
gera a ação pela massa
à curto prazo, o bom e o ruim não pesam

e se você puder agir instintivamente e
não se arrepender depois?

minha intenção agora
será descobrir como chegar nessa variável
que depois a equação se resolve por si

felicidade, isso foi o máximo que consegui descobrir sobre você

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

já não sei mais dizer se você é a minha ida ou a minha volta.



segunda-feira, 10 de setembro de 2012

é quando assoo o nariz que posso ouvir melhor.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012


o que, de fato, é passar-se despercebido?
(escrever no meio de duas pessoas num ônibus é que não o é)
se preocupar acerca de seu comportamento também não parece ser.

se ele não quiser, pra você, parecer como de fato está, não terá problema. mas e se ele cansou de ser confidente? e se cansou de se expor? não estaria se expondo mais, deixando claro que agora há, de fato, algo que o rasga mais, a ponto de nem querer deixar vazar mais nenhuma lamentação?

está preso a uma necessidade da qual está fadigado. e mesmo se contradizendo, precisou escrever esse texto.


terça-feira, 7 de agosto de 2012

título que eu quero dar por algum motivo obscuro


todo rompimento vai ser do mesmo jeito?
duvido. afinal, a gente sempre duvida. a última experiência (que deixou feridas) sempre é a que mais nos fez sofrer. mas essa é do tipo em que vou envelhecer e dizer que aquela é a garota que eu sempre amei.
as cartas, as músicas, as promessas e as lembranças. estarão sempre aqui, não tento sem sucesso jogar minhas memórias no lixo. essas, não outras. essas. como gostaria de que essas fossem reais assim como as vi. aliás, se o modo como as vi não bate com as realidades, então ou não chego perto de compreendê-las (bastante provável) ou o que eu vi não passou perto da realidade (também bastante provável).

o que é a realidade? a realidade é o que eu quero fotografar antes de fotografar. que eu quero escrever antes de escrever. a realidade além de tudo é algo que acontece independente de como a compreendemos. se a compreendemos, ela não é realidade. isto chama-se idealidade.

a minha idealidade é que você é tudo pra mim. a minha idealidade é dizer que não quero que você leia isso, mesmo querendo. é dizer que quero, mesmo não querendo. é dizer que quero, querendo. é dizer que não quero, não querendo. é que, a partir do momento que digo, deixa de ser a verdade. passa a ser somente a verdade que quero criar.

o meu karma é escrever tudo que me vem a cabeça, trazendo a idealidade sobre os fatos pra perto ou afastado-a. é escrever as nossas lembranças em papéis que não serão lidos (mas que eu queria que você de certa forma soubesse).

a minha idealidade poderia melhor representar a minha realidade caso eu conseguisse produzir algo diretamente com o que eu sinto, ouço, cheiro, toco e vejo. mas a graça está em tentar representar ela na maneira das linguagens que temos. as vezes queria poder fotografar o que os meus olhos estão vendo. - mesmo que eu esteja com a câmera, a fotografia não vai sair com o reflexo do meu rosto me encarando na parte escura do visor da mesma. por outro lado, até gosto desse limite da produção. mas também gosto de escrever sobre ele.

a realidade é que nós nunca vamos nos aproximar da realidade do que eu sinto por você, mas sei que sem juízo algum, deixei chegar nisso. na esperança colorida de um mundo cinza. não somente pelo nossos costumes e memórias, mas pela sua arte que me encanta.

a realidade é que mesmo consertando o que agora está quebrado, ainda não me satisfaria. mesmo ela hoje tendo deixado a estação dela passar de propósito. você não é uma peça quebrada no meu mosaico. nunca esteve comigo por completa. nunca fez parte dele, logo, não pode ser peça quebrada ou peça faltando. você também não é uma peça a mais no meu mosaico, aquela que não se encaixa. você o colore diferente, o leva para outras realidades. pra nossa idealidade. transformei tua imagem metamórfica no meu motor. motor que não pergunta e/ou não entende como o resto da máquina funciona.

~




sexta-feira, 3 de agosto de 2012

vou para o lado contrário da garota bonita que trocava olhares comigo antes de fazer a baldeação. decidi fugir delas. talvez encarando o fato de não ver rostos bonitos e promessas de eternidade entre estações, eu estabilize em mim a minha condição de dias cinzas. talvez eu consiga aceitar o fato de que não a terei de volta.

fractures - of colors, longing - for you

tenho todo o tempo do mundo pra pensar nesse título, mas talvez eu só queira gastá-lo pensando no que mais escrever

tem um coração nessa página, talvez eu devesse escrever na próxima.


consegui uma caneta. precisava escrever. colocar em papel tamanha trapassa que deus me pregou. pra assim, talvez, dar um valor artístico a tanto lixo ininterrupto. estou no meio de duas garotas que podem estar lendo o que estou escrevendo. mas é, precisava escrever. não há nada na minha mochila que possa riscar o papel. nem ao menos algo para sujá-lo com as toneladas dos meus despejos. livros, revistas, carteiros, beós, cadernos, dinheiro... caneta, não.
~
ufa, peguei uma com o cobrador. uma delas (das garotas) está tentando ler. se pá, a outra também. não sei, me propus a evitar que a da esquerda lesse. é difícil arranjar uma posição.
acho que arranjei.
~
sabe quando tem uma fila de ônibus e o seu pára atrás de todos? você pensa: carai! parou! - e corre. ao chegar, a fila está andando e ele também. logo, a fila de pessoas que estava esperando também vai seguindo, e os espertos que esperaram no ponto, aonde estava o primeiro ônibus da fila e agora está o seu, entram primeiro. - não! eu preciso entrar primeiro. preciso pegar um lugar! preciso escrever!
vai, tem uns lugares. ficar na frente aqui no banco de idosos -que podem chegar logo menos, e eu precisar sair - logo, parar de escrever- ou passar e correr o risco dessas pessoas que estão passando serem mais do que a quantidade de bancos vagos (e assim, em pé, não poder escrever)? não posso calcular isso, tem gente atrás de mim. (tem um moleque falando mal do timão aqui.)
~eu deveria parar pra terminar de ler o hq, mas preciso escrever. corrijo os erros de português até aqui e talvez o processo todo tenha me feito esquecer algumas das coisas que ia escrever. precisava. passei quase que por cima daquele coração. escrevo com tanta pressa que talvez eu não entenda depois.~
caminhei até o último banco e sentei pra procurar a caneta. não achei, já disse. precisava escrever. nem no celular daria porque gastei a bateria mandando mensagens de pendências. inclusive, enquanto escrevia, recebi uma das respostas. não lembra quem eu sou. - deixei a mochila no banco e fui até o cobrador pedir. era mais fácil pedir às moças, mas o cobrador é neutro, não uma pessoa como as moças. é mecânico, feito pra cobrar, e, eventualmente, emprestar canetas. esses dias conheci um que lia livros. traidor. - voltei e havia uma moça quase sentando no meu lugar, quando a moça ao lado disse: tem um rapaz aqui. "e que precisa escrever!" - minha alma quase colocava isso de placa na minha cara.

agora, tendo certeza desse conforto de caneta na mão, as ideias que tive pra complementar a justificação desse texto sumiram. afinal, de qualquer modo, tá chegando o ponto final e eu tenho que devolver a caneta.

sábado, 12 de maio de 2012

como essa sujeira toda foi parar na minha unha?

domingo, 6 de maio de 2012

saber se colocar no seu lugar

(o termo é:
saber colocar-se no seu devido lugar)


é interrompido ao tentar passar pela catraca:
uma mulher com uma cesta está vendendo trufas para os passageiros do outro lado da mesma.
tem fome, mas vai esperar chegar em casa para jantar como todo cara convencional.
porra, tem tanta vontade de comer aquela trufa de maracujá... mas ah, agora já está sentado. imagina levantar e pedir uma trufa? para quê se expor desse jeito?
afinal, já não foi o suficiente para um fim de semana? fim do ano... pode chamar como quiser...

"se tiver uma moeda de um conto aqui no bolso da frente, firmeza,
que vá junto com a minha insegurança".

há meses já com essa amiga, ele resolve fazer o que tem de fazer: comprar, pois então, a trufa de maracujá.
delicia-se com sua aquisição - possessão momentânea -, até que a moça bonita que agora subiu ao ônibus passa ao seu lado enquanto há resquícios da guloseima em seu bigode.

quinta-feira, 29 de março de 2012

seis meses no mar, levando sete coisas no bolso

para vocês, -até então- caríssimos,
sobraria amor
se ele não tivesse bloqueado pela arte dela
sobraria foco
se a sua ausência não caracterizasse o vazio

não há aproveitamento.
preso em uma carcaça (de um navio) cinza
toda intensidade o consome

como ouvinte, enxergo:
teus movimentos são artísticos
mais que poesia

tua presença me ambienta
e eu não sei o que fazer com tamanha inquietação
você é música

sexta-feira, 9 de março de 2012

deixa

deixe-me te idealizar 
(em busca do sossego)
deixei-me idealizar

deixei-me e me romantizei
com caderno e caneta estou, dentro do 3391/31
romantizei-me

romantizei-me e me perdi
no teu rastro, perdi-me

perdi-me e me esqueci
do cinza, esqueci-me

esqueci-me e me felicito
por poder te odiar, felicito-me

felicito-me e te odeio
por não ter-te, odeio-te

odeio-te e me alheio
por disseminar minha idealização, alheio-me

alheio-me e me acinzento novamente
portanto, moça bonita,
deixarei-me levar
porém
não deixe-me ter-te
deixe-me te idealizar

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

escrevi algo ano passado.
terminava em "será que sentiria isso se tivesse pego a condução certa?"
assim percebo que não sei das coisas e noto aonde a insegurança me trouxe.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

o nome deste vai ser:

achei que fosse São Paulo
achei que fosse o relativismo
achei que fosse o ócio
achei que fosse o machismo
achei que fosse o tênis
achei que fosse a academia
achei que fosse a família
achei que fosse o mal cheiro
achei que fosse a sociedade
achei que fosse o sistema
achei que fosse a aceitação
achei que fosse a estabilidade
achei que fosse a instabilidade
achei que fosse a improdutividade
achei que fosse a precariedade
achei que fosse a fita
achei que fosse o vício
achei que fosse o sonho
achei que fosse a arte
achei que fosse a hora
achei que fosse o futuro
achei que fosse a ausência
achei que fosse o orgulho
achei que fosse o preconceito
achei que fosse a melhor pior
achei que fosse a melhor
achei que fosse a super-lotação
achei que fosse o peso
achei que fosse o compasso
achei que fosse A silhueta
achei que fosse o tamanho
achei que fosse a descrença
achei que fosse a distância
achei que fosse o brasileirismo
achei que fosse a nostalgia
achei que fosse o achismo


anemia.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

por que costumamos ter ideias justo no banho?

a reposta é simples: porque sabemos que vamos dedicar aqueles 10/20/30/40 minutos ao banho; assim, não nos culpamos por estar disperdiçando tempo.

e o quê é que isso tem a ver?

a maior parte do nosso "tempo livre", passamos nos culpando por não estarmos resolvendo algum problema da nossa vida. (ter ideias salvadoras está incluso nisso.) "eu deveria estar estudando"; "será que dá tempo de consertar aquela cadeira?"; "preciso fazer as ligações acumuladas da semana", são propostas que o nosso consciente nos faz ao liberarmos um tempinho livre. regozijar do seu
tempo livre é importante, mas sabemos que com a correria que enfrentamos dia-a-dia, é muito difícil ser pleno nas horas de sossego.

outra maneira de tentar esquecer tais problemas é se distraindo. televisão, internet, música etc. porém, seu foco vai para a informação que você está recebendo e/ou enviando. somos uma era de vício em informação, não ficamos sossegados "fazendo nada".

dentro do chuveiro, você não pode encurtar as suas tarefas do dia, não pode se distrair. você sabe disso. você entra lá com o objetivo final de sair limpo, e, para isso, basta se lavar.

lavar-se não exige constante pensamento e reflexão, então sobra um tempinho. você não sabe, mas seu inconsciente sabe, muito bem, o que fazer com esse tempo. ele te leva embora, baseado nas suas preocupações e coisas que insistem em ficar na sua cabeça (mulheres, músicas, trabalhos etc) mas, como você não pode fazer nada por essas preocupações, ali, se lavando, o seu cérebro se encarrega de planejar ideias para as melhores resoluções. ter ideias artísticas também está envolvido. (no meu caso, principalmente, que sou vagabundo.)

assim como deitar para dormir, enfiar-se num chuveiro para o merecido banho também estimula a formulação de ideias. isso acontece pelo estilo de vida que levamos, que não parece muito saudável, né?

sábado, 22 de outubro de 2011

esta sim. endereçada.
Rua Coronel Etelvino Porto, nº 142, casa 2.
engraçado, quase curioso, pensar ser a segunda vez ver a sua morada no mesmo CEP que o dele.
hoje, vazio de amor, este endereço possui apenas interrogações que ele não faz questão que deixem de ser apenas interrogações.
engraçado, quase curioso, notar que ao escrever esse verso, passa, por meio de um transporte público, na travessa da sua atual morada.
hoje, vazio de conforto, fica a saudade do sofá. da cama, dos posteres e de como aquilo o fazia se sentir em casa.

não estava longe dela. este endereço ficava apenas a 10 passos, uma coçada, um grito (pois a campainha derrubava a internet) e uma olhada pro chão, da sua casa.
amor, não diretamente declarado, era o que sentia em reciprocidade.
conforto, por resultado, sua maior conquista. uma conquista que desde que o abandonou separando morada e morador, fez tornar engraçado, quase curioso, o rumo que sua vida tomou e o fato de ser o único bem a querer vir a conquistar.

Deus (pareceu bem melhor na minha cabeça)

salvei, creio eu, um cachorro.

desci do ônibus e duas coisas tiraram a minha concentração -que por sinal estava no Waited Up 'til it was Light do Johnny Foreigner-. a primeira foi um cara querendo puxar assunto, provavelmente com o intuito de me tirar algum pertence, que desviou o olhar logo que o encarei. nada de mais, foi a segunda que me fez escrever: um cachorro sendo arremessado pra frente por um carro, em plena -e movimentada- Avenida São Miguel.

atravessei a avenida e rapidamente o tirei dali. o coloquei no espaço seguro que há entre as vias da avenida, o qual agora me foge o nome. esperei, segurando-o, pela via livre para atravessar. aliás, segurando-a. era uma cadela. (que logo depois descobri que havia dado cria há alguns dias). atravessei-a e, na rua, já havia se formado uma multidão. ouvi uma voz irritante. "é meu. é minha, a cachorra é minha. sou a dona." a velha gorda se aproxima.

atravesso, após pedidos, a cachorra pro outro lado da avenida. quis sim, cuidar da cachorra. e foi isso que me espantou, da maneira mais imatura possível, ao esperar (ou não esperar nada) um "brigado viu moço" e ouvir um "graças a Deus, glórias a ele."

imaturidade minha ter me espantado e dito "quem salvou a cachorra fui eu".
e como ela está? tem uns cortes no rosto e sente dores pelo corpo. ah, está bem. eu, Deus, estou tomando providências.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

já tinha se acostumado com o seco, já que os incêndios do nulo me ajudam a suar

eu tenho a necessidade de escrever essa carta.
endereçada? talvez. não diria.

afinal, de quê serve botar algo no papel se não vai pra ninguém?
pergunta recorrente que sempre me volta com uma resposta diferente. (o que não significa que sejam contraditórias - no caso, apenas complementares)
se expressar, descarregar tramas e dramas? sim, por que não?
mas hoje cheguei a conclusão de que fazer arte é uma forma de fazer-se humano.
óbvio, eu sei. mas eu nunca tinha visto por esse lado.

construir-se humano. dar uma forma ao eu lírico e/ou simplesmente autor da determinada obra.
reproduzir-se humano. reproduzir-se de todas as formas que o humano pode tomar: selvagem e primitiva, carente e afável, doce e receptivo, egoísta ou caridoso (por mais que tudo isso na verdade gire em torno do ego), dentre outras formas.
mostrar-se humano. dar valor artístico a um comportamento humano faz melhor ser entendido, não faz? um pouco de nós sempre busca aceitação, mesmo que seja a nossa própria aceitação após ler o texto e pensar "viu só? faz sentido."
livrar-se do humano. é pesado carregar tudo isso, não? o mundo não tem espaço pras suas lamentações - é na arte que você, em parte, se livra delas. se livra e está pronto para viver por aí se adequando aos outros, até que algo te atormenta (pro "bem" ou pro "mal") novamente e te faz botar no papel alguma coisa.

apesar que, pensando bem, eu posso estar errado. isso deveria fazer de mim uma pessoa mais leve que as pessoas que não se fazem de arte, não deveria?
bom, quem vai dizer que não é assim? são só pontos de vista.

sábado, 1 de outubro de 2011

demais

sujo demais para defecar.