sexta-feira, 31 de agosto de 2012


o que, de fato, é passar-se despercebido?
(escrever no meio de duas pessoas num ônibus é que não o é)
se preocupar acerca de seu comportamento também não parece ser.

se ele não quiser, pra você, parecer como de fato está, não terá problema. mas e se ele cansou de ser confidente? e se cansou de se expor? não estaria se expondo mais, deixando claro que agora há, de fato, algo que o rasga mais, a ponto de nem querer deixar vazar mais nenhuma lamentação?

está preso a uma necessidade da qual está fadigado. e mesmo se contradizendo, precisou escrever esse texto.


terça-feira, 7 de agosto de 2012

título que eu quero dar por algum motivo obscuro


todo rompimento vai ser do mesmo jeito?
duvido. afinal, a gente sempre duvida. a última experiência (que deixou feridas) sempre é a que mais nos fez sofrer. mas essa é do tipo em que vou envelhecer e dizer que aquela é a garota que eu sempre amei.
as cartas, as músicas, as promessas e as lembranças. estarão sempre aqui, não tento sem sucesso jogar minhas memórias no lixo. essas, não outras. essas. como gostaria de que essas fossem reais assim como as vi. aliás, se o modo como as vi não bate com as realidades, então ou não chego perto de compreendê-las (bastante provável) ou o que eu vi não passou perto da realidade (também bastante provável).

o que é a realidade? a realidade é o que eu quero fotografar antes de fotografar. que eu quero escrever antes de escrever. a realidade além de tudo é algo que acontece independente de como a compreendemos. se a compreendemos, ela não é realidade. isto chama-se idealidade.

a minha idealidade é que você é tudo pra mim. a minha idealidade é dizer que não quero que você leia isso, mesmo querendo. é dizer que quero, mesmo não querendo. é dizer que quero, querendo. é dizer que não quero, não querendo. é que, a partir do momento que digo, deixa de ser a verdade. passa a ser somente a verdade que quero criar.

o meu karma é escrever tudo que me vem a cabeça, trazendo a idealidade sobre os fatos pra perto ou afastado-a. é escrever as nossas lembranças em papéis que não serão lidos (mas que eu queria que você de certa forma soubesse).

a minha idealidade poderia melhor representar a minha realidade caso eu conseguisse produzir algo diretamente com o que eu sinto, ouço, cheiro, toco e vejo. mas a graça está em tentar representar ela na maneira das linguagens que temos. as vezes queria poder fotografar o que os meus olhos estão vendo. - mesmo que eu esteja com a câmera, a fotografia não vai sair com o reflexo do meu rosto me encarando na parte escura do visor da mesma. por outro lado, até gosto desse limite da produção. mas também gosto de escrever sobre ele.

a realidade é que nós nunca vamos nos aproximar da realidade do que eu sinto por você, mas sei que sem juízo algum, deixei chegar nisso. na esperança colorida de um mundo cinza. não somente pelo nossos costumes e memórias, mas pela sua arte que me encanta.

a realidade é que mesmo consertando o que agora está quebrado, ainda não me satisfaria. mesmo ela hoje tendo deixado a estação dela passar de propósito. você não é uma peça quebrada no meu mosaico. nunca esteve comigo por completa. nunca fez parte dele, logo, não pode ser peça quebrada ou peça faltando. você também não é uma peça a mais no meu mosaico, aquela que não se encaixa. você o colore diferente, o leva para outras realidades. pra nossa idealidade. transformei tua imagem metamórfica no meu motor. motor que não pergunta e/ou não entende como o resto da máquina funciona.

~




sexta-feira, 3 de agosto de 2012

vou para o lado contrário da garota bonita que trocava olhares comigo antes de fazer a baldeação. decidi fugir delas. talvez encarando o fato de não ver rostos bonitos e promessas de eternidade entre estações, eu estabilize em mim a minha condição de dias cinzas. talvez eu consiga aceitar o fato de que não a terei de volta.

fractures - of colors, longing - for you

tenho todo o tempo do mundo pra pensar nesse título, mas talvez eu só queira gastá-lo pensando no quê mais escrever

tem um coração nessa página, talvez eu devesse escrever na próxima.


consegui uma caneta. precisava escrever. colocar em papel tamanha trapassa que deus me pregou. pra assim, talvez, dar um valor artístico a tanto lixo ininterrupto. estou no meio de duas garotas que podem estar lendo o que estou escrevendo. mas é, precisava escrever. não há nada na minha mochila que possa riscar o papel. nem ao menos algo para sujá-lo com as toneladas dos meus despejos. livros, revistas, carteiros, beós, cadernos, dinheiro... caneta, não.
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ufa, peguei uma com o cobrador. uma delas (das garotas) está tentando ler. se pá, a outra também. não sei, me propus a evitar que a da esquerda lesse. é difícil arranjar uma posição.
acho que arranjei.
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sabe quando tem uma fila de ônibus e o seu pára atrás de todos? você pensa: carai! parou! - e corre. ao chegar, a fila está andando e ele também. logo, a fila de pessoas que estava esperando também vai seguindo, e os espertos que esperaram no ponto, aonde estava o primeiro ônibus da fila e agora está o seu, entram primeiro. - não! eu preciso entrar primeiro. preciso pegar um lugar! preciso escrever!
vai, tem uns lugares. ficar na frente aqui no banco de idosos -que podem chegar logo menos, e eu precisar sair - logo, parar de escrever- ou passar e correr o risco dessas pessoas que estão passando serem mais do que a quantidade de bancos vagos (e assim, em pé, não poder escrever)? não posso calcular isso, tem gente atrás de mim. (tem um moleque falando mal do timão aqui.)
~eu deveria parar pra terminar de ler o hq, mas preciso escrever. corrijo os erros de português até aqui e talvez o processo todo tenha me feito esquecer algumas das coisas que ia escrever. precisava. passei quase que por cima daquele coração. escrevo com tanta pressa que talvez eu não entenda depois.~
caminhei até o último banco e sentei pra procurar a caneta. não achei, já disse. precisava escrever. nem no celular daria porque gastei a bateria mandando mensagens de pendências. inclusive, enquanto escrevia, recebi uma das respostas. não lembra quem eu sou. - deixei a mochila no banco e fui até o cobrador pedir. era mais fácil pedir às moças, mas o cobrador é neutro, não uma pessoa como as moças. é mecânico, feito pra cobrar, e, eventualmente, emprestar canetas. esses dias conheci um que lia livros. traidor. - voltei e havia uma moça quase sentando no meu lugar, quando a moça ao lado disse: tem um rapaz aqui. "e que precisa escrever!" - minha alma quase colocava isso de placa na minha cara.

agora, tendo certeza desse conforto de caneta na mão, as ideias que tive pra complementar a justificação desse texto sumiram. afinal, de qualquer modo, tá chegando o ponto final e eu tenho que devolver a caneta.